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domingo, 24 de junho de 2018

"O medo de perder é o mesmo medo de ganhar"

A maioria das pessoas acha que se confessar é se expor ao outro de modo gratuito. Não ser correspondido então, é um desastre. E por isso, se ouve casos de pessoas que passam a vida em um amor unilateral e não arriscam ouvir um Não, que poderia muito bem ser um maravilhoso Sim. Por quê ouvir um não  é tão ruim? Ruim mesmo é não ouvir nenhuma coisa nem outra.

Demonstrar afetividade não é vergonhoso. Sentir não é fraqueza. Isto é natural, é instrutivo, apesar de nos tornarmos  momentaneamente vulneráveis. 
As pessoas costumam pensar que para sentirem orgulho dos seus bons sentimentos eles precisam ser necessariamente recíprocos. O que a gente sente pelo outro tem mais a ver com a gente que com o outro. É um momento para descoberta de si. As dores são inevitáveis, mas a maneira que lidamos com elas é o que faz a diferença. 
Não se deve perder tempo com medo de dizer o que realmente sente. E a melhor maneira de aproveitar o tempo é dividindo nossos espaços, nossos momentos, emoções com quem amamos. É aliviando o peito com um amor que pesa por mal confesso. Se não houver reciprocidade quando assumir o que se sente, é só pensar que tudo vai ficar bem, que o tempo leva e ele tem pressa, e que o problema seria não saber as chances para não poder seguir. Um não nos cabe tão bem quanto um sim. Mas a forma como enxergamos este não pode ser tão benéfica quanto arrasadora. 
Não dependa emocionalmente das pessoas nem que elas tenham se tornado efetivas em sua vida. Não lhes atribua tal responsabilidade ainda que elas lhe alimentem expectativas e seja sempre o principal responsável por sua própria felicidade. Não tenha medo de dizer que ama, que não ama, que perdoa e que não admite. Não se deve alimentar por emoções que apenas ferem.  E entenda que sentimentos que são correspondidos também vão nos magoar porque ninguém se torna perfeito apenas por verdadeiramente amar. Há quem pregue que amor verdadeiro não magoa, só traz satisfação. Como isto é possível em se tratando de seres humanos? Há apenas a diferença gritante entre magoar a quem se ama e abusar do outro usando amor como argumento. E é preciso atentar para esta diferença.
Em minha humilde opinião, as únicas pessoas que podem nos decepcionar são aquelas a quem mais amamos, aquelas a quem damos real importância, porque nada relacionado a elas nos fica indiferente. E em contrapartida a gente só é capaz de decepcionar quem de fato nos valoriza, porque estas pessoas de nós só esperam o melhor e nunca algo que seja capaz de magoá-las. Tampouco isto é pretexto para abusar da confiança e amor do outro. 
Mesmo que haja o conforto e a segurança de sermos mais sinceros, de nos expor, por confiar na compreensão e perdão de quem nos ama, é exatamente por isso que devemos a cada dia nos policiar sobre nossas falhas e tentar sempre alcançar o nosso melhor. 
No mais, o imprescindível é sempre confessar a si mesmo e aqueles de quem gostamos o quanto estas pessoas são importantes para nós. Sarar as feridas aproveitando o melhor que a vida pode nos oferecer: o nosso tempo ao lado das pessoas.


                                                             Tays de Melo

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