Gosto de cores, muitas cores, pisca-piscas e ornamentos toda vez que o ano chega ao final. Ver nas lojas, nas ruas, nos postes e nas praças os enfeites com as luzes de natal.
Gosto de almoço de família barulhenta. Gosto de uva passa e panetone. Gente falando alto... E a música embrulhada no entremear de vozes.
Gosto da praia e de viajar com grupo de amigos ou colegas de trabalho.
Gosto da velocidade dos transportes e dos mosaicos que atravessam as vivências da cidade.
Sou feliz também em festas de rua de cidade pequena, como quermesses e dias santos com barraquinhas na rua principal. Em Areia, Campina Grande, em Remígio... Padroeira, São João e o Carnaval ...
Mas tem coisas das quais sentimos saudade como se tivessem deixado de existir. E sinto falta de certos hábitos que os comportamentos e costumes urbanos tentam diluir.
No mês de junho, não gosto de bombas nem fumaça. Pequenina fogueira pra assar o milho já me basta. Enquanto hipnotizada pelo estalar da brasa, ouço Assisão, Flávio José, Luiz Gonzaga...
Gosto de comidas pesadas... buchada, pirão, cabeça de galo, no almoço do domingo com arroz branco e vinagrete....Macaxeira, batata doce com galinha de capoeira ou charque frita é janta que me apetece.
Anoitecer com o canto da cigarra, acirrada na cantoria de dentro do sabiá, enquanto da calçada se vê o Teju-Açu na estrada rastejar.
Do outro lado ouvindo e vendo painho, aperreado e temoroso, aos berros imediatamente a cismar!
-Mas olha só o tamanho desse Tejo. Meus pintinhos querendo abocanhar!
De ir pro sítio e subir nos pés de manga e cajú mais pelo prazer da tarefa do que a fim de provar o fruto... Ainda que eu tenha me urbanizado, carrego abraçadas comigo coisas as quais já não desfruto.
Tudo isso ainda está presente, mas parece esmaecer. O que acontece com a gente, que tanto se prende a um passado prestes a desaparecer?
Cada uma destas experiências estão cheias mim e por elas sinto identidade e saudade. Desejo caminhar pra frente, sem agredir tanto meu antigamente, porque nas eiras desses recantos me bati pra virar gente.
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